05/09/2016

Um alerta ao setor sucroenergético!

Quando são divulgadas na imprensa boas notícias de interesse do setor sucroenergético, tais como “Safra de cana 2016/2017 deve ser recorde” (publicada no site do Mapa, em 14.04.2016), “O fim da era fóssil” (publicada no Especial Folha de S. Paulo de 29.08.2016), “O momento da virada” (publicada no site da Udop, em 31.08.2016) e “A demissão do principal detrator dos biocombustíveis” (publicada no site brasilagro.com, em 04.08.2016), chego à conclusão de que a retomada do desenvolvimento econômico do setor está próxima. (Leia mais)


Por outro lado, o site novacana.com publicou, no dia 24.08.2016, a notícia “Blairo Maggi chama setor de etanol de incompetente”, na qual o novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que é o principal Ministério que trata da cana-de-açúcar, a principal matéria-prima da produção do açúcar e do etanol, demonstra a falta de conhecimento do setor sucroenergético, do meio ambiente, dos prejuízos causados pela emissão dos gases presentes nos combustíveis fósseis, principalmente na gasolina e no diesel, e da importância do setor sucroenergético para a economia do nosso país.

Antes de dar suas declarações, tenho cá comigo que Maggi se esqueceu de se informar sobre o setor. Está no próprio site do Mapa (Ministério da Agricultura), e eu tomo a liberdade de transcrever alguns trechos, um histórico da cana-de-açúcar, para qualquer pessoa que se interesse ler:

"Introduzida no mercado colonial, a cana-de-açúcar se transformou em uma das principais culturas da economia brasileira. O Brasil não é apenas o maior produtor de cana. É também o primeiro do mundo na produção de açúcar e etanol e conquista, cada vez mais, o mercado externo com o uso do biocombustível como alternativa energética. (…) O etanol produzido no Brasil, a partir da cana-de-açúcar, também conta com projeções positivas para os próximos anos, devidas principalmente ao crescimento do consumo interno. A produção projetada para 2019 é de 58,8 bilhões de litros, mais que o dobro da registrada em 2008. O consumo interno está projetado em 50 bilhões de litros e as exportações em 8,8 bilhões. A política nacional para a produção da cana-de-açúcar se orienta na expansão sustentável da cultura, com base em critérios econômicos, ambientais e sociais. O programa Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAEcana) regula o plantio da cana, levando em consideração o meio ambiente e a aptidão econômica da região. A partir de um estudo minucioso, são estipuladas as áreas próprias ao plantio com base nos tipos da cana, solo, biomas e necessidades de irrigação. Está previsto, ainda, um calendário para redução gradual, até 2017, da queimada da cana-de-açúcar em áreas onde a colheita é mecanizada, proibindo o plantio na Amazônia, no Pantanal, na Bacia do Alto Paraguai (BAP) e em áreas com cobertura vegetal nativa”.

Cabe, agora, demonstrar ao Sr. Ministro Blairo Maggi, que é considerado o “Rei da Soja”, uma comparação resumida da produção da soja e da cana-de-açúcar desde a década de 80 até a safra de 2015/16:

De acordo com o site da Embrapa Soja, na safra de 2015/16, o Brasil apresentou a produção de 95,631 milhões de toneladas de soja, enquanto foram produzidas 658,700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Comparando com a década de 80, quando a soja começou a se destacar como principal cultura do agronegócio, foram produzidas 15 milhões de toneladas de soja e 68,300 milhões de toneladas de cana. Assim sendo, de lá para cá, houve crescimento de 6,37 vezes da soja e 9,64 vezes da cana.

É preciso considerar também os seguintes aspectos: para produzir 95,631 milhões de toneladas de soja são utilizados 33,170 milhões de hectares, enquanto que para produzir 658,700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar são utilizados somente 8,995 milhões de hectares, ou seja, 27,11% do utilizado pela soja. A cana-de-açúcar produz todos os produtos manufaturados (açúcar e etanol), desde o plantio até a venda, e, assim, gera empregos no Brasil, enquanto que de toda a produção da soja menos de 50% é usado para produtos manufaturados e mais de 50% é exportado e gera empregos no exterior.

Com isso, eu espero que Blairo Maggi pare de olhar para o próprio umbigo, reconheça a importância do setor sucroenergético para o país e para o mundo e tome muito cuidado para não ser o novo detrator dos biocombustíveis.

Em tempo, o site novacana.com publicou, no dia 01.09.16, a notícia de que o governo federal definiu o nome para substituir o principal detrator dos biocombustíveis, Ricardo de Gusmão Dornelles, no cargo de diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis (DCR), do Ministério de Minas e Energia (MME), vago desde 3 de agosto último. O escolhido é Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, funcionário da Embrapa, graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Federal de Goiás (PUC-GO), com mestrado em agronegócio.

Assim, termino meu artigo na esperança de que Miguel Ivan tenha conhecimento da importância do setor sucroenergético para o nosso País e para o mundo e consiga implementar políticas públicas de longo prazo para a retomada desta relevante área da economia brasileira.


(Artigo escrito em 05/09/2016)

Um comentário:

  1. Se compararmos a produtividade da cana de açúcar com a soja e milho, por exemplo, podemos chegar a conclusão do Sr. Blairo Maggi, todavia, mesmo na soja existe grande variação de produtividade, com valores de aprox. 120 sacas 60kg (Sc)/he no pico, para 100 Sc/he para alta produtividade no centro - oeste e uma média nacional de 50 Sc/he. Todavia, faz-se necessário salientar: (i) as diferenças do ciclo de vida; (ii) que a soja/milho/algodão são commodities com preços regidos pelo mercado internacional; (iii)que o lucro das melhores empresas do setor sucroenergetico está em recuperação, mas, que o valor em 2015 é aproximadamente 50% daquele de 2011.
    Resumindo: As commodities agricolas são muito menos influenciadas pelas ações do governo de plantão, já o sucroenergético é afetado duplamento (no preço e no volume de vendas, o que me leva a concordar com a necessidade de uma política de longo prazo.

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