16/08/2016

Até que enfim, a descoberta!

Até hoje não entendia como um projeto do BNDES, de 2004/2005, que recomendava às empresas do setor sucroenergético o aumento da produção de 384 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para um bilhão de toneladas, visando a implantação de mais de 200 novas unidades industriais, não vingou. Pelo contrário: ele foi afetado com uma decisão equivocada da Presidente Dilma, que segurou o preço da gasolina por diversos anos, alegando que precisava segurar a inflação. Com essa decisão, a Presidente Dilma, além de quebrar o setor sucroenergético, deu um prejuízo à Petrobras de mais de 25 bilhões de dólares. (Leia mais)

O setor sucroenergético vinha cumprindo a recomendação do BNDES, chegando, em 2010, à produção de 624 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, que representou o aumento de mais de 62% e a implantação de mais de 100 novas usinas.

Agora estou entendendo essa decisão da Presidente Dilma de segurar por anos o preço da gasolina. Leia na íntegra artigo publicado em 04.08.2016, no site Brasilagro.com, para entender também.

“Principal detrator dos biocombustíveis no governo é demitido – Apontado como o principal articulador da derrocada dos biocombustíveis no segundo mandato do presidente Lula e na gestão de Dilma Rousseff na presidência da República e muito festejado em eventos 'chapa branca' do setor sucroenergético, Ricardo Gusmão Dornelles foi finalmente e merecidamente demitido do cargo de diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis, da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis, do Ministério de Minas e Energia.

Segundo um ex-secretário de Produção do Ministério da Agricultura, Ricardo Dornelles sempre se posicionou contra o etanol em todas as reuniões promovidas pela Casa Civil no Palácio do Planalto em que eram tratados temas relacionados aos biocombustíveis.

Em 2007, ele usou do poder de seu cargo para tentar boicotar um evento de biocombustíveis e energias renováveis promovido em Brasília, segundo um ex-ministro. Durante o evento, foi denunciado, pela primeira vez, que o governo federal estava tirando o foco do setor sucroenergético e priorizando o pré-sal, iniciando assim o assalto aos cofres da Petrobras e marcando o maior escândalo de corrupção pública da história universal. Ricardo Dornelles chegou a usar o representante e pretenso 'lobista' de uma entidade do setor sucroenergético lotado em Brasília para reclamar das críticas que lhe eram feitas através do Brasilagro. Sua saída do governo federal representará um avanço do setor para a consolidação de um novo ciclo do setor canavieiro.

Nota da Agência Estado – Considerado o principal elo entre o governo federal e o setor sucroenergético, o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis, da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis, do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Gusmão Dornelles foi exonerado do cargo. A portaria com a decisão, assinada pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, foi publicada nesta quarta-feira (3/8) no Diário Oficial da União (DOU).

O governo ainda não divulgou um substituto para a vaga de Dornelles. O engenheiro estava no posto desde 2005 e acompanhou todo o avanço do etanol no País, bem como a crise do combustível durante os governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Durante esse período, o etanol deixou de ser atribuição do Ministério da Agricultura e passou para o MME – o que ampliou os poderes de Dornelles. (Da Redação e Agência Estado, 3/8/16).”

Aqui, cabe uma lembrança: logo após ser eleito Presidente da República, em 2003, Lula esteve em Piracicaba, a convite da empresa Dedini, para inaugurar a nova fundição, a maior da América Latina em termos de peso fundido de peças, e também visitou a Esalq, com a intenção de apoiar a criação do Polo Nacional dos Biocombustíveis.

Nesta época, Lula falava bem do etanol, tanto aqui no Brasil como no exterior, mas, após a descoberta do pré-sal, o foco mudou completamente e deu no que está dando: o setor sucroenergético está quebrado pela política equivocada da Presidente, que privilegiou o pré-sal, operação que também ficou prejudicada, diga-se de passagem, conforme o constante do artigo acima: “... iniciando assim o assalto aos cofres da Petrobras e marcando o maior escândalo de corrupção pública da história universal”.

Finalizando, quero parabenizar o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, pela exoneração do 'principal detrator dos biocombustíveis', Ricardo Gusmão Dornelles, na esperança de que ele saiba, também, escolher o substituto para a função. Este deve saber como fazer para que o setor sucroenergético retome o seu desenvolvimento econômico, gerando emprego à sua gente, renda ao nosso País e o cumprimento dos compromissos perante o meio ambiente.


(Artigo escrito em 16/08/2016)

Um comentário:

  1. Paulo A. Soares17/8/16 10:12 AM

    Mais uma vez fica obvio a necessidade de uma política de Estado para os combustíveis no País, pois, investimentos nestas áreas requerem estabilidade nas ações do governo, não sendo aceito políticas casuítas / interesses pessoais ou partidários do governo de plantão.

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