14/06/2016

Fé e humildade

Neste artigo, transmito aos leitores o evangelho do 9º Domingo do Tempo Comum, lido na missa na Igreja do Lar dos Velhinhos: (Leia mais)


“Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (LC 7. 1-10) – Naquele tempo, quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. Havia lá um oficial romano, que tinha um empregado a quem estimava muito e que estava doente, à beira da morte. O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado. Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: 'O oficial merece que lhe faças esse favor, porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga'. Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: 'Senhor, não se incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra e o meu empregado ficará curado. Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um 'Vai', ele 'Vai'; e a outro 'Vem', ele vem; e ao meu empregado 'Faze isto', ele o faz'. Ouvindo isto, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia e disse: 'Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé'. Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde.”

Aproveito a publicação feita no site padrepauloricardo.org para explicar a fé e a humildade presentes neste Evangelho: 

“O episódio narrado pelo Evangelho deste domingo é a cura do servo de um centurião romano: um homem pagão, ligado à religião judaica por laços de mera estima e beneficência, como dizem os anciãos dos judeus a Jesus: 'O oficial merece que lhe faças esse favor, porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga'. Essa passagem mostra, portanto, o caráter universal da mensagem e da obra de Jesus de Nazaré: Ele veio, em primeiro lugar, para 'as ovelhas perdidas da casa de Israel', mas não só para elas; depois da revelação divina dada aos judeus, é a hora de a salvação alargar-se ao mundo inteiro, a todos os povos e nações. Posto isso, olhemos para as virtudes deste oficial romano, que fazem o próprio Senhor louvá-lo, dizendo; 'Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.

Primeiro, diz o Evangelho, aquele centurião 'tinha um empregado a quem estimava muito' e, ouvindo falar de Jesus, pediu a intercessão de alguns anciãos dos judeus, para que Ele 'viesse salvar seu empregado'. Em uma sociedade como a de Roma, em que o pater famílias detinha poder de vida e de morte sobre os seus escravos, considerados mera propriedade de seu senhor, que um homem 'estimasse' e, além disso, agisse efetivamente para 'salvar' o seu escravo, já demonstrava um nível superior de amor, muito próximo daquele que Cristo manifestou no Sermão da Montanha, quando substituiu a lei de Talião pela obrigação de amar os próprios inimigos. Havia naquele homem, portanto, um substrato de virtudes humanas bem estabelecidas.

Depois, o evangelho deixa entrever a fé sobrenatural daquele oficial, quando este declara a Jesus: 'Ordena com a tua palavra e o meu empregado ficará curado'. Com isso, o centurião romano demonstra acreditar na autoridade divina de Jesus de Nazaré. Ele não recorreria, de fato, àquele homem de carne e osso, se não cresse, ainda que de modo simples, na Sua divindade. Também para nós, esta é uma condição imprescindível da oração, já que não se pede algo a quem não se acredita que no-lo possa conceder.

Fica patente, por fim, em toda a narrativa deste Evangelho, a grande humildade desse oficial romano, que não ousa aparecer diante de Cristo por achar-se indigno de ir pessoalmente ao seu encontro. Também esta virtude é necessária para a nossa vida interior, porquanto a humildade nada mais é que 'andar na verdade' da nossa miséria e, quanto mais nos aprofundarmos em Deus, maior a consciência dessa miséria que somos.

Os autores espirituais são unânimes em falar da humildade e da fé como as grandes bases do edifício que é a vida espiritual: a primeira sendo a sua parte negativa, pela qual cavamos o buraco e reconhecemos aquilo que somos, e a segunda sendo a sua parte positiva, pela qual edificamos uma base para o nosso crescimento na vida em Deus.” 

Depois destes dois textos com rico conteúdo, podemos concluir e refletir sobre a base de nossa salvação: amar os próximos e sempre agir com fé e humildade.


(Artigo escrito em 14/06/2016) 

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