Antes de repetir a minha sugestão para a solução do setor sucroenergético, por meio da qual o Brasil pode ser o protagonista da recuperação do setor, abrangendo tanto as empresas produtoras do etanol, açúcar e energia elétrica como as empresas de bens de capital fornecedoras do setor sucroenergético, transcrevo alguns trechos de notícias publicadas recentemente envolvendo o setor sucroenergético, estagnado desde 2009 pela política equivocada de nossa Presidente, que segurou o preço da gasolina sem estudar outras alternativas. (Leia mais)
A primeira notícia foi publicada no site brasilagro.com.br, em 24.11.15: “Unica: 87 usinas fecharam e 67 estão em recuperação judicial - Principal entidade do setor produtivo da cana, etanol e açúcar, a Unica ainda não encerrou sua fase de reestruturação interna. 'A crise pela qual passou o setor foi de tal ordem que ninguém consegue enxergar a luz no fim do túnel. E, quando vê, pensa que é um trem', diz Elizabeth Farina, presidente da entidade. 'Não é possível definir quando esse processo deverá terminar, pois depende muito de uma visão de longo prazo e da previsibilidade de políticas públicas'. Hoje, 67 companhias estão em processo de recuperação judicial. Algumas dessas empresas, lembra Farina, que fecharam, foram adqueridas por uma concorrente próxima, que incorporou a plantação e assumiu o processamento da cana”.
Também no Brasilagro, em 30.11.15: “Etanol: Incertezas regulatórias travam retomada de investimentos - Usinas têm ano favorável com alta de preço e do consumo de etanol, mas incertezas regulatórias travam retomada de investimentos. (…) 'É um pequeno alívio, mas não resolve os problemas do setor', diz Plinio Nastari, da Datagro, empresa especializada no setor. O vigor da demanda e a assimilação dos preços pelos consumidores não animam, ainda, novos investimentos, segundo ele. Etanol e açúcar estão em alta, mas as principais regras do setor ainda não foram definidas. As incertezas regulatórias trazem insegurança para os investimentos, segundo Nastari. O setor tem de conhecer claramente a política fiscal do governo, que envolve Cide (o tributo sobre combustível) e a fórmula no reajuste da gasolina”.
Já o MBF Agribusiness publicou, em 04.12.15: “Anunciada nesta semana pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), a nova regulamentação estabelece que em 2016 serão misturados 68,54 bilhões de litros de combustíveis renováveis à gasolina em território americano”.
As duas primeiras notícias anunciam um ano favorável para o etanol, mas a sua continuidade depende, segundo Elizabeth Faria, presidente da Unica, “muito de uma visão de longo prazo e da previsibilidade de políticas públicas”. Segundo Plinio Nastari, da Datagro, “etanol e açúcar estão em alta, mas as principais regras do setor ainda não foram definidas. As incertezas regulatórias trazem insegurança para os investimentos. O setor tem de conhecer claramente a política fiscal do governo, que envolve a Cide e a fórmula no reajuste da gasolina”. Tanto Farina como Nastari tem razão, pois precisamos de políticas públicas com visão a longo prazo.
A terceira notícia anuncia que os Estados Unidos vão misturar 68,54 bilhões de litros de etanol à gasolina, enquanto o Brasil não chega a misturar 30 bilhões de litros de etanol à gasolina. Este é um grande avanço da principal potência mundial! Quisera que por aqui fosse igual...
Em minha opinião, é preciso evitar que o preço da gasolina seja manipulado a critério do Governo, para cima ou para baixo. Portanto, seria essencial a utilização do Cide (o tributo sobre combustível) para manter o preço da gasolina sempre superior ao preço do etanol em 30%. Mantendo sempre essa diferença, o consumidor poderá optar pelo consumo do etanol ou da gasolina, que terá o mesmo desempenho nos veículos. Claro: sempre lembrando que o consumo do etanol minimiza as emissões dos gases de efeito estufa para a atmosfera, e que o consumo da gasolina prejudica o meio ambiente, sendo um dos principais poluidores da atmosfera.
Isso feito, volto a insistir na revisão e na implantação do estudo elaborado em 2011 por especialistas da área de energia do BNDES. Se colocado em prática, representará a retomada do desenvolvimento econômico do setor sucroenergético, gerando renda ao país e emprego à nossa gente.
Com a implantação deste projeto, o Brasil teria o destaque mundial sobre o meio ambiente, tão defendido pelo Papa Francisco em sua encíclica “Laudato Si" (Louvado Seja) e na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21).
Para conhecimento, transcrevo, deste projeto de 60 páginas, apenas a sua Conclusão: “O setor sucroenergético empreendeu um grande esforço de investimento ao longo do período de 2005 a 2009, o que resultou na inauguração de mais de cem novas unidades industriais. A partir de 2009, contudo, o setor passou a enfrentar período de estagnação dos investimentos e, com isso, experimentou redução significativa das encomendas de bens de capital sucroenergéticos. A continuidade desse cenário tem gerado ambiente econômico adverso para os fabricantes, em especial para aqueles mais dependentes das encomendas do setor sucroenergético. Por outro lado, dadas as projeções de demanda de açúcar e etanol brasileiros, estima-se que 134 novas usinas, com capacidade de moagem de quatro milhões de toneladas de cana cada, sejam necessárias para atender à demanda projetada para os próximos anos. Isso equivale à instalação de cerca de 17 unidades por safra a partir de 2013/14. É dentro desse contexto que, com base na pesquisa de campo com os principais fornecedores de bens de capital sucroenergético e grandes grupos de usinas, este artigo procurou identificar se o atual parque fabril de máquinas e equipamentos para açúcar e etanol, mesmo enfrentando um período duradouro de baixo volume de encomendas, estaria em condições de atender a novo ciclo vigoroso de investimentos em novas usinas sucroenergéticas”.
O setor sucroenergético, como sempre, tem se destacado pela procura constante da inovação, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa tanto na área agrícola como na industrial. No setor agrícola, há o uso de variedades mais adaptadas ao sistema mecanizado, o uso de novas tecnologias de plantio e outras, que deverão melhorar os ganhos de produtividade. No setor industrial, o avanço do recolhimento da palha para a geração de bioeletricidade e, no futuro próximo, a produção do etanol de segunda geração. Sem falar na USD (Usina Sustentável Dedini), apresentada em 2009 (início da crise econômica), projetada para atender a critérios de maximização de sustentabilidade, com destaque para o ambiental. A USD foi concebida para potencializar as qualidades ambientais do etanol, sem descuidar do resultado econômico da atividade. Nela, as tecnologias desenvolvidas possibilitam a produção de seis Bio-produtos: bioaçúcar, bioetanol, bioeletricidade, biodiesel, biofertilizante e bioágua, em um projeto integrado, objetivando minimizar emissões e maximizar o efeito mitigador do etanol quanto aos gases de efeito estufa.
Veja a USD em números: área necessária: 7.169.000 hectares (admitindo não haver ganho de produtividade); investimento industrial: R$134,000 bi; investimento agrícola (sem terra): R$144,720 bi; investimento total: R$278,720 bi; energia elétrica exportada: 26.264.000 mw/h/safra; produção de biodiesel: 931.270 m³/safra; produção de etanol: 42.880.000 m³/safra; empregos efeito renda: 2.033.316 pessoas; litros de gasolina substituídos: 30.016.000 m³/safra; emissões de gases evitadas: 60.632.320 tCO2/safra; faturamento energia, biodiesel, etanol: R$60,842 bi (estes dados foram elaborados pelo eng. Paulo Soares, da Dedini).
Portanto, além de estar atualizado com as inovações, a implantação deste projeto geraria desenvolvimento ao setor sucroenergético e ao meio ambiente.
Visto tudo isso, alerto que precisamos lutar pela implantação destes projetos, pois são a solução para a retomada do desenvolvimento econômico do setor sucroenergético, gerando empregos à nossa gente, renda ao nosso país e melhorando sensivelmente o meio ambiente, com as emissões de gases evitadas para a atmosfera.
(Artigo escrito em 11/12/2015)
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