Ao assistir ao Supremo Tribunal Federal (STF) julgar o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, responsável pela viabilidade do processo de “impeachment” da Presidente Dilma, a única conclusão plausível é de que não haverá impeachment, nem mesmo no Conselho de Ética, pois o STF vetou a chapa alternativa aprovada pela Câmara dos Deputados por 272 a 199 votos e homologou a chapa única indicada, cujos membros foram escolhidos pelos líderes de cada partido, vetando, assim, os partidos como um todo de indicarem os membros da Comissão. Para conhecimento, são somente 26 líderes de partidos que escolherão, entre os 513 deputados federais, os 65 membros do Conselho de Ética. Só quero ver como o STF agirá se esta chapa indicada pelos líderes dos partidos não obtiver a maioria dos votos do plenário da Câmara dos Deputados... (Leia mais)
Enfim, outra particularidade que me chamou a atenção no julgamento dos membros do STF foi a falta de sentimento profissional pelo relator Luiz Edson Fachin, pois a grande maioria dos membros, ao declarar os seus longos votos, elogiou o trabalho desenvolvido pelo Ministro Fachin, mas votou contra a sua proposta. Para que elogiar, então?
Toda essa arrumação acredito que seja porque a Presidente Dilma pertence a um grande partido que não abre mão de continuar com o poder, custe o que custar. Só para saber: no caso de impeachment de Collor, ele pertencia a um partido pequeno (PRN) e perdeu toda a sustentação de seus aliados.
No caso do pedido de impeachment da Presidente Dilma, foram listadas mais de cinco razões, fora as pedaladas fiscais, que foram objetos do pedido de impeachment. Portanto, razão existe e de sobra.
Você se lembra de Rubens Ricupero? Ele foi ministro da Fazenda de 30 de março a 6 de setembro de 1994, durante o período de implantação do Plano Real. Foi quem encaminhou ao presidente Itamar Franco a exposição de motivos que criou o Plano Real, que previa a estabilização econômica, idealizado pela seguinte equipe de economistas: Persio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan, Edmar Bacha, entre outros. Ricupero é jurista, formado pela USP e diplomata brasileiro de carreira de 1961 a 2004. Exerceu, dentre outras, as funções de assessor internacional do presidente eleito Tancredo Neves (1984-1985), assessor especial do presidente José Sarney (1985-1987), representante permanente do Brasil junto aos órgãos da ONU sediados em Genebra (1987-1991) e embaixador nos Estados Unidos (1961-1993).
Pois bem. Rubens Ricupero teve a grandeza em reconhecer o seu erro, renunciando ao cargo de ministro da Fazenda, em 6 de setembro de 1994, assim que soube do vazamento, via satélite, de uma conversa sua com o jornalista da Rede Globo Carlos Monforte revelando alguns detalhes sobre o Plano Real, quando se preparava para entrar ao vivo no Jornal da Globo, em 1 de setembro. O episódio ficou conhecido como Escândalo da Parabólica.
O sinal do link via satélite que transmitiria a entrevista já estava aberto (Canal 23) e os lares cujas antenas parabólicas estavam sintonizadas no canal privativo de satélite da Rede Globo captaram a conversa informal do ministro com o jornalista. A razão de sua renúncia foi a sua fala: “Eu não tenho escrúpulos. Eu acho que é isso mesmo: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”.
O fato foi um forte golpe na campanha presidencial do ex-ministro Fernando Henrique Cardoso, mas não o bastante para tirá-lo das primeiras colocações nas pesquisas. FHC venceu as eleições presidenciais ainda no primeiro turno. Ricupero foi, então, nomeado embaixador do Brasil na Itália e, posteriormente, eleito secretário geral da UNCTAD, pertencente à ONU, deixando o cargo em setembro de 2004, quando se aposentou como diplomata.
Fica, então, registrada mais uma sugestão para a Presidente Dilma: aja com grandeza, como fez Rubens Ricupero ao reconhecer seu erro, e renuncie ao cargo de Presidente da República, negociando um outro cargo mais adequado à sua qualificação.
(Artigo escrito em 29/12/2015)
A solução de uma renuncia deveria ter ocorrido, já na época do "estelionato eleitoral", quando a Sra Dilma deu uma "quinada" de 180 graus na política econômica. Realmente seria um gesto de grandeza da Presidente, todavia, duvido que ocorra.
ResponderExcluirA proposta é muito boa, mas, para tal seria necessário que tivéssemos um estadista ocupando a presidência. A atual Presidente está preocupada em se manter no cargo, como demonstra a quitação das "pedaladas" fiscais, e um estadista estaria preocupado com os destinos do país.
ResponderExcluirPrezado Paulo, você tem razão quando diz que precisamos de um estadista. Faz tempo que o Brasil não elege um. Mas não podemos continuar com este governo corrupto e, principalmente, mentiroso. Um governo que mente deve ser cassado.
ExcluirSenhor Tarcísio, compactuo com seu desejo de ver afastada nossa presidente, e mais, todo o entorno lulopetista do poder. Porém, vejo um grande empecilho focalizado nela mesma. Dilma vem de um passado protocomunista dos anos 60, no qual a ignorância política desse tipo de pessoas e de intelectuais da época formavam a base do ideal totalitário comunosocialista tão em voga. Acontece, que Dilma nunca foi uma intelectual, agia naquela época, como age atualmente, sem o mínimo discernimento do que seja modernidade, gestão, realidade, verdade. Seu cérebro deformado pela ignorância jamais terá capacidade de refletir o que é melhor para o país. Ela crê piamente que vai ficar marcada na história do Brasil como a primeira mulher presidente da república e somente isso. O que ela e sua gangue próxima vão tentar nesses próximos meses é um voo de galinha na economia visando as eleições municipais. Senhor Mascarim, creio que a única força que possa expulsá-la do Planalto é o povo nas ruas, porém, está difícil essa posição popular, lamentavelmente.
ResponderExcluirAbraços do seu admirador e admirador de todas as forças produtivas deste país.
Ronalde Segabinazzi
Engº civil - 71.
Piracicaba.
Prezado Rona, você tem razão quando diz que a solução para o
Excluirimpeachment é levar o povo às ruas, principalmente em Brasilia. Mas precisamos insistir, pois um governo que mente deve ser cassado. Assim, a nossa presidente seria a primeira mulher presidente e a primeira mulher cassada.