13/10/2015

Vamos nos salvar enquanto há tempo - Parte II

Na parte I deste artigo e em tantos outros, tenho afirmado que para nos salvar basta cumprir dois mandamentos que Jesus Cristo pregou: 1) Amarás o Senhor teu Deus, de todo coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento e 2) Amarás o teu próximo como ama a si mesmo. (Leia mais)


Mas parti de uma premissa equivocada, que foi: se amarmos Deus e o nosso próximo, não teremos pecado nenhum. No entanto, só Jesus Cristo não teve pecado na Terra. Nós temos o livre arbítrio, que é o direito de escolha em todas as nossas ações, mesmo com o Diabo que anda a solta por aí destilando tentações. Porém, não é possível chegarmos à perfeição e não termos pecado. Por isso, apresento outra recomendação de Jesus Cristo para a nossa salvação: mesmo tendo pecado, precisamos buscar a “confissão” e o “perdão. Devemos, sim, continuar amando Deus e o próximo, mas, se pecarmos, é necessário confessar ao sacerdote e buscar nosso perdão. 

É bem isso que a Equipe Christo Nihil Praeponere detalha no site https://padrepauloricardo.org/blog, com o título “Por que tenho que contar os meus pecados a um padre?”. Segue: 

“Algumas das objeções que são feitas para não recorrer ao sacramento da Penitência consistem em dizer que: ‘não é necessário contar nossos defeitos para outro pecador’ ou que ‘basta confessar os próprios pecados diretamente para Deus’.

Essa recusa em buscar à Confissão nasce de um escândalo tipicamente protestante. Certas pessoas não se conformam com o fato de que Deus usa instrumentos humanos para redimir a humanidade: usou Maria para trazer o Seu Filho ao mundo; usou os Apóstolos para transmitir seus ensinamentos às nações; e, ainda hoje, usa as mãos dos bispos e sacerdotes – que são os sucessores dos Doze – para trazer a Sua presença e o Seu perdão aos fiéis. Impossível não recordar às passagens dos Evangelhos em que Jesus perdoava os pecados às pessoas, e os escribas, desconfiados, pensavam que Ele blasfemava. Formados na ciência das Escrituras, estes sabiam bem que só Deus podia perdoar os pecados. Ao mesmo tempo, porém, ignoravam não só, a divindade de Jesus, como não aceitavam, que Ele pudesse conceder o poder do perdão também aos seres humanos (Mt 9.8).

Foi justamente o que fez Nosso Senhor, quando, depois da ressurreição, reunidos os Doze, disse-lhes: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão retidos (Jo 20.23). Com isso, Ele confirmava o poder das chaves dado aos Apóstolos (Mt 28:16.20), deixando bem claro que: ‘a reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus’ {1}.

É o que diz um belo sermão, que consta num recente Ofício das Leituras, de autoria do bem aventurado Isaac, abade do mosteiro de Stela {2}. Na Liturgia das Horas, o texto do século XI leva um título sugestivo: Cristo não quer perdoar nada sem a Igreja. O raciocínio desse escritor eclesiástico é bem simples: ‘Pertence somente a Deus perdoar os pecados’, ele escreve. ‘Mas, tendo desposado o onipotente a fraqueza, o excelso, a humildade, da escrava fez uma rainha: aquela que estava atrás a seus pés, colocou-a a seu lado’.

Tratando Cristo e a Igreja sob a perspectiva da união que existe entre eles – e que São Paulo denomina como um ‘grande mistério’ (Ef 5,32) -, o abade Isaac aplica a este ‘matrimônio’ as palavras de Cristo: ‘O que Deus uniu o homem não separe’ (Mt 19,6), e conclui: ‘Portanto, sem Cristo nada pode a Igreja perdoar, nada quer Cristo perdoar sem a Igreja. A Igreja não pode perdoar a não ser ao penitente, isto é, àquele a quem Cristo tocou. Cristo não quer ter por perdoado aquele que despreza a Igreja (...) Não queiras, pois, tirar do corpo a cabeça, de forma que em parte alguma haja o Cristo total: nem em parte alguma, o Cristo total sem a Igreja nem a Igreja toda sem Cristo em parte alguma. Pois Cristo completo e íntegro, entende-se cabeça e corpo, por isto diz: Ninguém subiu ao céu a não ser o Filho do homem que está no céu (Jo 3,13). É este o único homem que perdoa os pecados.’

Note-se a precisão das palavras: a Igreja não pode (nihil potest) perdoar sem Cristo: Jesus, ao contrário, sendo deus, até pode perdoar sem a Igreja, mas não quer (nihil vult) fazer isso. Ninguém põe em discussão que Deus tem potestade para salvar como quer; nenhum católico questiona o fato de que Ele pode perdoar os pecados como bem entende. Porém, quando mandou o Seu Filho ao mundo desposando a miserável carne humana. Ele a escolheu como instrumento de redenção; quando concedeu aos Seus discípulos o 'ministério da reconciliação' (2 Cor 5, 18), quis que a remissão dos pecados fosse concedida aos homens pelas mãos frágeis e humanas dos padres da Igreja.

Assim como no tempo de Cristo, nenhum homem tem poder para perdoar os pecados. Quando os sacerdotes católicos repetem, em toda Confissão: 'Eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo', eles agem 'in persona ipsius Christi – na pessoa do próprio Cristo'. Nas mãos sacerdotais que traçam sobre nós o sinal da cruz, estão as próprias mãos chegadas do Redentor, apagando os nossos pecados e ressuscitando as nossas almas.

Cristo está vivo e atuante na Sua Igreja. Não queiramos separar o que Ele uniu. Aproximemo-nos com confiança do sacramento da Confissão – atendendo ao pedido do Papa Francisco – e recebamos a alegria do perdão e a paz da consciência.”

Ainda sobre o assunto, seguem algumas recomendações do Papa Francisco, divulgadas na Rádio Vaticano em 19.02.2014: 

"(...) Na verdade, embora a forma ordinária da Confissão seja pessoal e secreta, não se deve perder de vista a sua dimensão eclesial. Por isso, não basta pedir perdão a Deus no íntimo do próprio coração, mas é necessário confessar os pecados ao sacerdote. Este, no confessionário, não representa apenas Deus, mas toda a comunidade eclesial, a qual se reconhece na fragilidade dos seus membros, constata comovida o seu arrependimento, reconcilia-se com eles e encoraja-os no caminho de conversão e amadurecimento humano e cristão.

Para aqueles que dizem: 'Eu me confesso somente com Deus', o Papa recordou que os nossos pecados são também contra os irmãos e a Igreja e por isso é necessário pedir perdão a eles na pessoa do sacerdote. Aos que se envergonham, o Pontífice respondeu: 'Também a vergonha é boa, vergonhar-se é saudável. Porque quando uma pessoa não tem vergonha, no meu país dizemos 'sem vergonha', sin verguenza. (…) Mas a vergonha também faz bem, porque nos torna mais humildes. (…) Não tenham medo da Confissão, porque dela se sai mais 'livre, grande, belo, perdoado e feliz'. (...)

O Papa se dirigiu aos presentes para que cada um se lembre qual foi a última vez que se confessou e sugeriu: Se passou muito tempo, não perca mais um dia: vá avante, que o sacerdote será bom. Jesus é quem está ali, é?, e Jesus é o padre mais bondoso de todos, pois recebe com tanto amor. Seja corajoso e vá se confessar.

Francisco concluiu sua catequese ressaltando que o Sacramento da Reconciliação significa deixar-se envolver no abraço da misericórdia infinita do Pai. E citou a parábola do filho pródigo, que ao voltar para casa sentindo tanta culpa e vergonha, ficou surpreso com o abraço que recebeu do Pai. Toda vez que nós nos confessamos, Deus nos abraça. Deus faz festa. Prossigamos nesta estrada.”

Para finalizar este artigo, reforço que temos que agradecer a Deus por nos dar o direito de escolha, e, se pecarmos, devemos buscar a oportunidade de nos salvar pedindo perdão ao sacerdote.


(Artigo escrito em 13/10/2015)

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