24/08/2015

Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos

O título deste artigo foi dito por Jesus Cristo, no evangelho de Mateus 22-14. Nesta frase, Ele retrata a grande decepção sobre a humanidade, que continua pecando, esquecendo-se das suas palavras, de que, para entrar no reino de Deus, apenas temos que cumprir dois mandamentos, os quais foram transmitidos por Jesus, conforme o evangelho de Mateus 22-35/40, que transcrevemos: (Leia mais)


“35 E um deles, doutor da lei, interrogou-o para experimentar, dizendo:

36 Mestre, qual é o grande mandamento da lei?

37 E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o seu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

38 Este é o primeiro e grande mandamento.

39 E o segundo, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

40 Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”.

No evangelho de Mateus 24-1/46, nota-se que, mesmo naquele tempo, havia doutores da lei, que questionavam Jesus para o experimentar, duvidando, portanto, de sua divindade.

Se naquele tempo, com a presença de Jesus, havia pessoas que não acreditavam na sua divindade, atualmente, sem a Sua presença, a situação ainda se repete, conforme reportagem de Alexandre Matias, freelancer da Folha de S. Paulo, publicada em 09.04.2004, com o título: “O Código da Vinci põe em dúvida divindade de Jesus”, da qual tomo a liberdade de transcrever o terceiro parágrafo:

“É que o livro acompanha as aventuras do professor de Harvard Robert Langton e da criptóloga parisiense Sophia Neveu, que se encontram após o assassinato do curador do museu do Louvre. Seguindo uma série de pistas deixadas de formas estratégicas, os dois aos poucos desvendam o que chamam de 'a maior conspiração da história', que a Igreja Católica foi fundada sobre o segredo de que Jesus Cristo era um simples mortal (casado, e com filhos, com Maria Madalena) e que sua santidade foi aferida séculos após sua morte, para justificar a própria existência da igreja”.

É evidente que, na época, houve defesa sobre o assunto, conforme descrito nos parágrafos seguintes da reportagem:

“O nervo cutucado pelo livro surtiu efeito e pode ser medido além do sucesso editorial de 'Código', em várias publicações que surgiram a partir deste. São mais de doze livros publicados sobre o tema, quase todos mostrando que as argumentações de Brown são falhas ou incríveis, esquecendo-se de que o livro pertence ao território da ficção. Dois destes livros acabaram de chegar ao Brasil: 'Quebrando o Código Da Vinci', do professor Darrel L. Bock, e 'Revelando o Código Da Vinci', de Martin Lunn”.

Nos parágrafos seguintes, a defesa pelo professor Darrel L. Bock, que enfatiza não ser católico:

“A maior parte do material usado por Brown veio do livro 'A Irmandade Secreta e o Santo Graal' ou foram emprestadas preguiçosamente de algumas ideias em aulas de religião sobre Jesus dadas em universidades. (…) 

'Há, na verdade, três grandes falsas acusações quando nos referimos à igreja', diz o autor. 'A primeira é que Jesus foi casado com Maria Madalena e teve filhos. A segunda é que a divindade de Jesus foi votada em um conselho fechado no início do século 4. A terceira é que os quatro evangelhos da Bíblia foram escolhidos a partir de 80 outros evangelhos porque eles consideravam Jesus divino', conclui Bock.

Ele segue debatendo cada uma das acusações. 'Primeiro, não há nenhum texto que diz que Jesus foi casado. Na verdade, teólogos liberais e conservadores concordam que Jesus não foi casado. Tal concordância é rara e quando ocorre é muito provável que o assunto seja correto'.

'A divindade de Jesus foi afirmada em seu próprio tempo, por seus seguidores diretos', diz o professor Bock. 'Há inclusive uma carta de um governador romano do século 2 que reporta cristãos cantando hinos para Jesus como Deus, e isso 200 anos antes da data que Dan Brown afirma que este assunto foi resolvido. Além disso, duas pessoas do conselho de Nice, que era composto por 216 ou 316 pessoas, votaram contra a afirmação que lá foi defendida. Não há números corretos sobre a quantidade de pessoas que compareceram. Os votos foram abertos'.

'Quanto à terceira acusação, há apenas 12 evangelhos dos séculos 2 e 3 além dos evangelhos bíblicos do primeiro século, e não 80, e eles contam muito pouco sobre Jesus. Alguns desses textos tem uma teologia diferente da cristão, por isso foram rejeitados'”.

Em 2006, a imprensa publicou que três importantes cardeais da Santa Sé lamentaram a ignorância religiosa expressa no livro O Código da Vinci. O Presidente do Pontíficio Conselho para a Cultura, Cardeal Paul Poupard, afirmou que o mencionado livro distorce seriamente a história da Igreja e se aproveita do desconhecimento de muitos católicos sobre a fé para confundir a realidade da ficção. A ausência de conhecimentos básicos torna difícil distinguir entre fábulas, fantasias e ataques à história e valores da Igreja. O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Majella Agnelo, aconselhou os católicos a não assistirem ao filme, pois, muitas vezes, são produzidas obras apenas com o intuito de ganhar dinheiro (como ele acha ser o caso do filme do livro). Finalmente, o Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação, para a Causa dos Santos, indicou que não cabe a menor dúvida de que tanto o livro como o filme mostram uma grande ignorância sobre a verdadeira história de Cristo e da Igreja.

Além destas manifestações, transmito uma mensagem do Padre Reginaldo Manzotti sobre a aberração do livro e filme de Dan Brown:

“Não é justo semear 'joio' em uma humanidade tão fragilizada de valores absolutos que podem sustentar a paz e a Fé na construção de um mundo melhor. Não é correto semear inescrupulosamente, com os fins econômicos, a dúvida onde as certezas ainda nem começaram a brotar. Por que nós ocidentais somos tão covardes quando brincamos com as nossas crenças? O autor do livro Código da Vinci não destrói o que é secundário no cristianismo; ele macula e destrói o que ultimo da fé de Cristo. Acredito que muitos diriam que não vale a pena se pronunciar contra esta obra de Dan Brown chamado 'O Código da Vinci', pois isto lhe dá somente mais vendas e bilheteria ao filme, baseado no livro, que foi lançado no cinema. Até concordo em partes com esta teoria e respeito. No entanto, fico pensando e sinceramente me preocupo com aquelas pessoas que jamais leram a Bíblia e nem se lembram do catecismo que fizeram e, consequentemente, vão tomar todas aquelas afirmações escritas e, agora, dramatizadas como verdades absolutas. Preocupo-me com as pessoas simples que, sem formação teológica suficiente, irão colocar dúvidas na divindade de Jesus. Penso nos caros jovens que já desacreditados com o governo, com a família, com os amigos e com amor, agora também perderam a certeza e a esperança de um Jesus que nos amou até a morte de Cruz. Claro que a igreja católica irá passar por mais esta difamação, pois já passou por situações piores que esta. Claro que Jesus continuará o redentor. Mas que direito tem alguém de expor o erro, e ser aplaudido e condecorado e enriquecido como este Dan Brown? Boicotar o filme? Creio que não! O momento é oportuno para revermos nossas crenças, nossa fé. E tempo de nos debruçar sobre nossas verdades e separarmos o joio do trigo. Penso que, por mais que a igreja se pronuncie, explique, esclareça e evangelize a imagem de Jesus Cristo e de seus sucessores e da igreja, permanecerá distorcida e minada em alguma ciência humana.”

Para finalizar, chamo a atenção de todos os leitores que Jesus foi crucificado para mostrar à humanidade a sua divindade, por meio da sua ressurreição.


(Artigo escrito em 07/05/2014)

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