25/08/2015

A corajosa política e o desemprego

Lendo o Jornal de Piracicaba, no último 5 de dezembro, uma fala do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na qual afirma: “Fizemos corajosa política”. E disse também que "termina uma gestão com a convicção de entregar o país com a menor taxa de desemprego da história”. (Leia mais)


Quanto à “corajosa política”, quero contestar, pois o que eles fizerem foi uma “política suicida”, a partir de 2008, quando adotaram a chamada “nova matriz econômica”, heterodoxa e desalinhada ao tripé anterior, que era o Plano Real, com o sistema de metas de inflação, câmbio flutuante e austeridade fiscal. Esta “nova matriz econômica” está deixando a nossa economia um caos. O crescimento econômico da presidente Dilma é o menor desde a era Collor e a inflação foge do controle - já estaria beirando os 10% aa, não fosse o controle de preços da gasolina e energia.

Agora, quando o ministro Mantega fala em ter deixado a menor taxa de desemprego da história, quero reportar a um artigo que escrevi em 23.12.13, com o título “PIB versus desemprego”, que tomo a liberdade de transcrever alguns pontos:

"No Valor Econômico de 13.12.13, lemos que o PIB do Brasil é o pior do G-20 no 3º trimestre, apontado pela OCDE, e no dia 15.12.13, por Marlos Apyus: 'Lula celebra empregos gerados pelo PT, mas taxa de desemprego seria 4 vezes maior que a oficial'. A notícia de Apyus continuou: 'É de fato de se espantar que o pior PIB do G-20 apresentaria a terceira melhor taxa de desemprego (5,5%), perdendo apenas para Suíça e Áustria. Teria mesmo o Brasil descoberto a solução mágica para o problema, ou estaria o governo apenas e mais uma vez 'manipulando números' para enganar seus eleitores? A resposta pode estar no que o IBGE considerava População em Idade Ativa (PIA) até 2002, e o que passou a considerar desde então. Antigamente, qualquer brasileiro acima dos 15 anos que trabalhasse menos de 15 horas por semana era considerado desempregado. Mas a nova metodologia inclui apenas brasileiros acima de 18 anos. E basta trabalhar uma única hora por semana para não mais ser incluido na massa desempregada da nação. No ano passado, o Instituto von Míses Brasil revisou os dados do próprio IBGE e chegou a um número mais lógico: a taxa de desemprego no Brasil estaria em 20,8%, ou quase 4 vezes acima da vitória cantada pelo PT. O trabalho de Leandro Roque, editor e tradutor do site do Instituto von Mises Brasil, começa duvidando da diferença de quase 100% entre os números divulgados pelo IBGE e pelo DIEESE. E detalha toda a metadogia do primeiro, provando que favorece e muito o governo. Tudo porque o IBGE é extremamente camarada ao evitar ao máximo dizer que alguém não tem emprego no país. Segundo suas planilhas, não são considerados no Brasil: trabalhadores não remunerados - qualquer malabarista de sinal ou vendedor de doces na rua pode se enquadrar neste grupo; desalentados: pessoas que num período de seis meses desistam de buscar emprego, seja qual for o motivo - está recebendo seguro-desemprego, recebe Bolsa Família, etc.”

Acredito que sejam suficientes os dados acima para contestar as palavras do ministro Guido Mantega sobre desemprego, e acrescento que a nova metodologia entrou em vigor em 2002. Contudo, já são 12 anos de PT no poder, sem que o cálculo seja questionado por seu comando. Provavelmente porque se beneficie dele.

Finalizando, cito notícia do jornal O Estado de S. Paulo, de 12.12.13, com o título “Dilma e os fatos da vida”, na qual mostra a "política suicida” adotada pela presidente a partir de 2008:

“...Confortável em seu mundo de fantasia, o governo tem errado e continua errando em seu diagnóstico dos problemas econômicos. Insiste em estimular o consumo quando os entraves estão do lado da oferta interna. Reconhece um tanto obscuramente a necessidade de investimento para mais produtividade, mas é incapaz de apontar um rumo aos empresários e de oferecer segurança aos investidores. No ano passado os juros foram baixos, pelos padrões históricos, mas o investimento caiu. Impossível, para quem tem alguma percepção, desconhecer a inflação elevada, a piora das contas públicas e a maquiagem como instrumento de política. Nenhum discurso cor-de-rosa anula esses dados”.

Aí estão algumas razões da baixa economia em que nos encontramos. Por isso, vamos aguardar a “nova matriz econômica” da presidente reeleita e de seus ministros, para que a retomada do desenvolvimento econômico retorne e dê emprego à nossa gente e renda ao nosso País.


(Artigo escrito em 18/12/2014)

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