13/01/2020

A família e sua importância

Neste artigo, quero transmitir aos nossos leitores uma mensagem de Tom Hoopes publicada no site Aleteia.org, em 21 de outubro de 2019, que revela: a família é mais importante do que pensávamos. (Leia mais)


Mas, antes disso, e indo ao encontro da pesquisa de Tom Hoopes, quero relembrar o início da minha carreira: Minha origem é humilde. Meus pais, Angelo Mascarim e Elvira Guarda Mascarim, tiveram 13 filhos, dos quais três continuam vivos e preservando a memória da nossa família. Para ajudar no orçamento familiar, todos começamos a trabalhar muito jovens. Eu comecei a trabalhar com meu pai, que era marceneiro e tinha uma oficina em casa, antes dos 6 anos de idade. Nasci na Vila Rezende, iniciei meus estudos com 6 anos e meio, no Grupo Escolar José Romão. Terminei o antigo primário com 10 anos e meio. Assim que encontrei uma oportunidade, comecei a trabalhar em uma tinturaria e dei continuidade aos estudos. De fato, a família pesa bastante na formação das pessoas e depende principalmente dos seus pais. Eu, sem os meus, não seria nada.

Vamos agora a mensagem de Tom Hoopes:

“Esse grupo social é responsável por grande parte da solução dos problemas modernos.

Os dias atuais estão sendo atormentados pelo isolamento social. Mas uma pesquisa católica sugere que a solução para isso está nas nossas famílias.

Recentemente, uma manchete do The Wall Street Journal revelou: ‘A taxa de suicídio de jovens aumentou 56% na década...’

Quanto mais você lê a reportagem, pior fica. ‘Embora a taxa de suicídio entre as crianças de 10 a 14 anos fosse a menor (entre as faixas etárias) esse índice quase triplicou de 2007 a 2017’, diz a reportagem. Mas ninguém até hoje conseguiu identificar por que os suicídios estão aumentando.

Procurando causas para o aumento do suicídio, o Journal observou o aumento da depressão entre adolescentes, uso de drogas, estresse e até dependência de mídia social.

Mas um livro de pesquisadores católicos diz que, na raiz de tudo isso, há algo tão primitivo em nós que perdê-lo significa perder a nós mesmos: a família.

O livro de 2012 de Mary Eberstadt, Adam and Eve After the Pill (“Adão e Eva depois da pílula”), focou nos danos causados às relações entre homens e mulheres (além de crianças e jovens adultos) pela revolução sexual. Seu novo livro, Primal Screams, dá o próximo passo, examinando os destroços deixados pelo colapso da família.

Eberstadt começa falando não sobre seres humanos, mas sobre lobos. Os pesquisadores descobriram que, ao contrário do que pensávamos, ‘os lobos vivem da mesma maneira que as pessoas, em famílias compostas por uma mãe, um pai e seus filhos’.

E não são apenas lobos. Agora, os cientistas dizem que os rebanhos também comportam-se como famílias, e que os animais aprendem tudo com suas mães e irmãos. Essas descobertas levaram muitas instituições a proibir apresentações de orcas e golfinhos – porque agora sabemos que esses animais, separados de suas famílias, sofrem profunda angústia.

Na realidade, diz Eberstadt, um animal separado de sua família sofre consequências previsíveis: ansiedade, comportamentos repetitivos, expectativa de vida mais curta e automutilação – as mesmas coisas que estão aumentando nas populações humanas em nossos dias.

Uma descoberta fascinante dos estudos de Eberstadt é a enorme importância dos irmãos.

Ela cita uma pesquisa de 2018 que sugere que os irmãos precisam compartilhar recursos e ‘aprender empatia uns com os outros, independentemente da ordem de nascimento’. Outro estudo sugere que ‘a probabilidade de divórcio na vida adulta pode ser prevista pelo número de irmãos que alguém tem; quanto maior o número, menor a probabilidade de divórcio’.

Os primos que moram nas proximidades oferecem benefícios semelhantes – como, presumivelmente, os grupos de crianças que costumavam reunir-se em comunidades rurais, bairros e quarteirões da cidade, onde a falta de irmãos em uma casa seria compensada por essas duas portas.

Irmãos do sexo oposto fornecem benefícios sociais específicos, ressalta Eberstadt. ‘Crescer com um irmão do sexo oposto torna adolescentes e jovens adultos mais confiantes e bem-sucedidos no mercado’, diz ela. Eles sabem como meninos e meninas são de perto.

Por outro lado, a falta de conexões familiares nos leva a procurar a identidade pessoal em lugares improváveis, como ‘tribos de hip-hop e música country, bros, nerds, grupos do Facebook.’ Claro que essa lista poderia continuar indefinidamente, acrescentando diferenças sexuais, ocupacionais e outras.

Mas quem sou eu? Trata-se de uma pergunta que só pode ser respondida através de nossos relacionamentos.

‘Nenhum homem é uma ilha’, escreveu John Donne. Todos fazemos parte da humanidade, por meio de uma família.

Eberstadt diz que é difícil responder ‘Quem sou eu?’ sem antes responder ‘Quem é meu irmão? Quem é meu pai? Onde estão meus primos, avós, sobrinhas, sobrinhos e o resto das conexões orgânicas através das quais a humanidade até agora canalizava a existência cotidiana?’.

Os católicos sabem o porquê: Deus em si é relacional – Pai, Filho e Espírito Santo – e, quando veio nos redimir, entrou em uma família humana, comparou o céu a um banquete de casamento e nos chamou para ser filhos adotivos e filhas de Deus.

Nossa fé nos diz claramente o que a ciência está descobrindo agora, tardiamente: o futuro da humanidade passa pela família.”


(Artigo publicado em 14/01/2020)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário!