20/09/2019

As parábolas de Jesus

É difícil o povo entender o Antigo Testamento, quando Deus usava de alianças para alcançar os melhores da época. E, como alguns desviavam de sua aliança, Ele mandou seu filho Jesus para a nossa salvação. (Leia mais)


Jesus, ao contrário do que diz o Antigo Testamento, ensinava o povo principalmente com suas parábolas, recurso que utilizava para expressar verdades espirituais profundas e facilitar o entendimento das pessoas.

Para ilustrar o que estou falando, aproveito a mensagem de Philip Kosloski, publicada no site aleteia.org em 30 de agosto último, com o título “O que são parábolas e por que Jesus falava através delas?”:

“Nos Evangelhos, Jesus usa parábolas para ensinar seus discípulos. Mas o que são parábolas e por que Jesus as utilizava com tanta frequência?

A Enciclopédia Católica explica: ‘A palavra parábola (...) significa, em geral, uma comparação ou um paralelo, pelo qual uma coisa é usada para ilustrar outra. É uma semelhança tirada da esfera de incidentes reais, sensíveis ou terrestres, a fim de transmitir um significado ideal, espiritual ou celestial’.

Por sua natureza, as parábolas têm muitos significados. Muitas vezes, elas não têm uma interpretação específica e estão abertas a ponderações espirituais, mostrando como uma história pode revelar alguma verdade em nossas vidas.

Além disso, Jesus usou parábolas para nos ajudar a penetrar mistérios que eram profundos demais, a fim de que pudéssemos entendê-los completamente. O Reino de Deus foi um dos assuntos mais comuns das parábolas de Jesus, revelando a sua natureza impenetrável e nossa incapacidade de compreendê-lo completamente nesta terra.

As parábolas também são exemplos perfeitos de como os vários sentidos das escrituras são revelados. Cada parábola tem um sentido literal (transmitido pelas palavras das Escrituras e descoberto pela exegese), bem como um sentido espiritual. O sentido espiritual das parábolas pode ainda ser separado em seu sentido alegórico (uma compreensão mais profunda dos eventos, reconhecendo sua importância em Cristo), seu senso moral (como eles devem nos levar a agir com justiça) e seu sentido anagógico (em termos de seu significado eterno, levando-nos à nossa verdadeira pátria).

O Catecismo da Igreja Católica ainda explica que: ‘parábolas são como espelhos para o homem: ele será solo duro ou boa terra para a palavra? Que utilidade ele fez dos talentos que recebeu?’

Se Jesus usasse definições diretas ao descrever o Reino de Deus, pareceria que uma pessoa poderia ‘controlá-lo e ‘compreendê-lo’. Em vez disso, o Reino de Deus deve ser ponderado dentro do coração de alguém, como Maria fez com tudo o que aconteceu em sua vida. Deve ser internalizado e assumir um significado pessoal único, levando ainda mais esse indivíduo a um relacionamento mais profundo com Cristo.

Embora sejamos tentados a querer ‘os fatos corretos’, Jesus nos convida, através de parábolas, a abraçar o mistério de Deus e a reconhecer nossa incapacidade de compreender completamente quem é Deus e qual é o seu plano para nós”.

Aprofundando o tema, aproveito um exemplo de parábola publicado no mesmo site, em mensagem de Mário Scandiuzzi, no dia 6 de junho último:

“Na parábola do filho pródigo, com qual dos filhos você se identifica? Antes de responder lembre-se: Deus é misericordioso e ama todos.

No Evangelho, Jesus falou várias vezes sobre a misericórdia de Deus, o quanto o Pai nos quer bem e tem para nós sempre o melhor.

Entre todas as parábolas, talvez a que mais se destaca neste aspecto seja a do Filho Pródigo (Lucas 15, 11-32).

Nela, Jesus fala de um pai que tem dois filhos. O mais novo decide viver a vida por conta própria. Para isso, exige do pai a parte da herança a que tem direito. Reunindo todos os seus bens, parte para uma terra distante.

A ideia de viver de modo independente, sem ter que dar satisfações de seus atos, parece ter sido a grande ilusão deste jovem. E foi assim, aproveitando seus bens materiais de forma irresponsável, que acabou na miséria. Para piorar a situação, a região onde estava foi afetada por uma grave crise. Só teve ajuda de um senhor, que o mandou ao campo cuidar dos porcos. E nesta hora precisamos entender o contexto da época.

Os judeus não comiam carne de porco por considerar o animal impuro. Além disso, cuidar de animais já era visto como uma desonra, já que o serviço exigia a presença do pastor todos os dias, inclusive aos sábados. Desta forma, esses pastores não conseguiam seguir a lei religiosa, que determinava o repouso neste dia, que era dedicado ao Senhor.

Para agravar ainda mais esta situação degradante, ele passava fome. Tinha vontade de comer o que era destinado aos porcos, mas nem isso conseguia.

Foi quando chegou ao fundo do poço que se lembrou de seu pai. Na casa dele havia muitos empregados e todos tinham pão com fartura, enquanto o jovem não tinha o que comer.

Nesta hora ele sentiu o arrependimento por suas atitudes impensadas e teve três atitudes na busca por restaurar sua vida: o arrependimento, a ação e a vontade de pedir perdão. O primeiro ato foi reconhecer que precisava mudar aquele quadro: ‘Levantar-me-ei e irei a meu pai’. Em seguida, a decisão de agir: ‘Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai’. Por fim, o pedido de reconciliação: ‘Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’.

Da parte do pai, observamos que, mesmo com toda a dor que sentia em seu coração, realizou o desejo do filho ao repartir a herança e permitir que ele partisse. Em todo este tempo, aguardou ansiosamente pela volta do jovem. E isso fica claro quando a narração de Lucas diz que ‘estava ainda longe quando seu pai o viu, e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.’ Depois dessa acolhida, disse aos empregados que trouxessem uma túnica nova ao jovem, que lhe colocassem o anel no dedo e a sandália aos pés. Mandou ainda matar o novilho cevado para celebrar, afinal de contas ‘este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado’.

Em nenhum momento na parábola o pai questionou as atitudes do filho, o que tinha feito e por que tinha saído de casa. Pelo contrário, demonstrou um amor que aos olhos humanos parece impossível.

A parábola segue contando que o filho mais velho se aproximou da casa e, ao perceber a festa, se recusou a entrar por saber que a comemoração era para celebrar o retorno do irmão.

O pai insistiu e alegou que, mesmo estando o tempo todo ao lado do pai, nunca pode festejar com os amigos. A atitude egoísta de quem se acha merecedor do Reino de Deus, mas não tem compaixão por aqueles que caíram e agora querem restituir a graça.

A parábola nos mostra um pai amoroso, cheio de amor por seus filhos. E também dois filhos: um que acredita ser possível viver longe do Pai e de forma desenfreada, e o outro perto do Pai, mas sem experimentar o amor. A reflexão é: com qual dos dois filhos nos identificamos? Uma coisa é certa: não importa a resposta, o amor de Deus por nós é o mesmo e Ele está sempre de braços abertos, pronto para nos acolher quando O buscamos com o desejo sincero em nossos corações.”

Esta é apenas uma das muitas parábolas que Jesus contou para ensinar à humanidade o que é o amor, a graça, o reino dos céus e outras questões que temos em Seus mais lindos dizeres.

Sugiro que essas parábolas sejam lidas, para que busquemos a salvação e a vida eterna em Suas palavras.


(Artigo escrito em 20/09/2019)

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