Como sempre, a Petrobras é contra os biocombustíveis (etanol e biodiesel), os quais evitam a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera, como podemos ver pela reportagem de Miguel Angelo Vedana, diretor-executivo do NovaCana e BiodieselBR, publicada no portal novaCana.com em 12.04.17, com o título “Petrobras se mobiliza para impedir avanço do RenovaBio”. (Leia mais)
Este documento de 14 páginas da Petrobras, que é o relatório de sugestões ao RenovaBio, foi divulgado no site do Ministério de Minas e Energia depois que a consulta pública foi encerrada.
Por aí, verifica-se que se as sugestões da Petrobras ao RenovaBio fossem acatadas. O programa passaria alguns anos levantando dados e discutindo o que fazer.
Dessa maneira, o RenovaBio deve ter um opositor do calibre da Petrobras para qualquer implantação de retomada do setor sucroenergético, pois esta não é uma empresa comum que tenta influenciar os membros do governo, pois ela tem funcionários de carreira como membros do governo.
Para ela não importa que o meio ambiente seja prejudicado com a emissão de gases de efeito estufa para atmosfera. O que interessa é ter empregos e faturamento de seus produtos, que prejudicam o meio ambiente, semelhante ao Presidente do EUA, Donald Trump, que está permitindo o funcionamento das minas de carvão, olhando somente para o número de empregos e desprezando a saúde de seus empregados e o prejuízo ao meio ambiente.
Por isso, em minha opinião, a solução seria a privatização da Petrobras, para que ela seja enquadrada como as demais empresas, para o cumprimento das restrições que o meio ambiente exige, e não elaborar um “relatório de sugestões” para poder usar os produtos que prejudicam sensivelmente a natureza, que são a gasolina e o diesel, os maiores causadores da emissão de efeito estufa para a atmosfera.
A Petrobras começa seu relatório lembrando que para cumprir as metas de emissões o “Brasil possui uma diversidade de opções nos setores florestal, elétrico, agropecuário, industrial e transportes”. Por aí se vê que a petrolífera tenta mostrar que não é necessário incentivar os biocombustíveis e, portanto, “o país está desonerado da obrigação de criar espaço para os biocombustíveis”. Por coincidência, a receita da Petrobras é produto da venda desses combustíveis com alta emissão de CO2, que garante a ela atender ao seu mercado.
Sugiro a leitura da reportagem completa de Miguel Angelo Vedana, mas tomo a liberdade de transcrever apenas o trecho “Uma empresa de petróleo”:
“O relatório de sugestões da Petrobras ao RenovaBio é claramente contrário ao avanço rápido dos biocombustíveis. Nada mais natural para uma empresa que vende petróleo e está saindo do mercado de biocombustíveis depois de amargar bilhões de reais de prejuízo.
Esse relatório de sugestões é muito mais do que uma série de pontos que os responsáveis pelo RenovaBio podem valorizar ou não. Ele é a parte visível de um trabalho que a Petrobrás executa nas entranhas do poder em Brasília. E a Petrobras não é uma empresa comum que tenta influenciar os membros do governo nos diversos ministérios, ela tem funcionários de carreira como membros do governo.
São pessoas que gostam da Petrobras e tiveram ao longo da vida o pensamento moldado pela empresa. É esse raciocínio que encontramos nas sugestões ao RenovaBio.
Quando a Petrobras estava no auge da expansão do pré-sal e lava jato era apenas um lugar onde se lavava carros, era comum ouvir no MME que a Petrobras era uma nação dentro do Brasil, tamanho era seu poder de influência e recursos. E essa nação interna nem sempre tinha os mesmos interesses que o Brasil. Por mais que essa nação tenha encolhido, ela continua atuando na defesa de seus interesses.
O RenovaBio tem potencial para ser muito mais do que uma das maneiras do Brasil cumprir as promessas feitas na COP21. O que se desenha é um programa que pode trazer dezenas de bilhões de dólares em investimento e gerar milhares de empregos enquanto diminuímos a poluição. São pouquíssimos os países que têm condições de mitigar as emissões de carbono e melhorar os índices sociais e econômicos.
O setor de biocombustíveis no Brasil deve ficar muito atento aos próximos passos do RenovaBio. Já está na hora da proposta final ser divulgada. E uma proposta de verdade, não os conceitos etéreos que foram lançados para consulta pública.
Agora é o momento do mercado saber como o programa pretende valorar os combustíveis que emitem menos carbono, como será feita a conta de quanto carbono é emitido, como as usinas serão certificadas, como o biodiesel e o etanol vão concorrer entre si, e dezenas de outras perguntas.
Também está chegando a hora do governo reafirmar o RenovaBio. O ministro Fernando Coelho precisa mostrar que o programa chegou em sua reta final. Esse comprometimento é importante não só para vencer as forças que trabalham contra o RenovaBio, mas para mostrar que o ministério terá o ânimo necessário para transformar esse projeto em Lei.”
Nesta reportagem estão as intenções da Petrobras sobre os biocombustíveis e vem confirmar a necessidade de sua privatização, pois o País tem que cuidar de todas as suas necessidades e, em especial, do meio ambiente. Pense nisso!
(Artigo escrito em 18/04/2017)
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