24/08/2015

O Brasil precisa de um estadista

Não é possível tanta insensibilidade do governo aos apelos de todos os envolvidos na cadeia do setor sucroenergético (entidades, governos municipais e estaduais, frentes parlamentares em defesa do setor, indústrias fabricantes de equipamentos, produtores de cana-de-açúcar, produtores de etanol e trabalhadores) para que sejam adotadas políticas públicas adequadas para a retomada do desenvolvimento do setor que mais emprega e gera renda ao país, colaborando com o meio ambiente. (Leia mais)


Não é possível o governo previligear o consumo da gasolina (um dos maiores poluidores do meio ambiente) em detrimento ao etanol (minimizador dos danos ao meio ambiente), causando um prejuízo de mais de 30 bilhões de dólares à Petrobras pela importação de gasolina para que seja vendida mais barato, prejudicando e causando a quebra do setor sucroenergético.

Falta apenas apelarmos para os nacionalistas e ambientalistas adotarem a campanha “o etanol é nosso”, com o mesmo orgulho, garra e otimismo da campanha “o petróleo é nosso”, que mobilizou o Brasil a partir de 1947, para que o nosso governo acorde para a importância do setor sucroenergético.

Ainda tenho esperança que o nosso governo leia e aprove a implementação do trabalho elaborado em 2011 pelos especialistas do BNDES da área de energia, no qual concluem que há a necessidade da instalação de 134 novas unidades produtoras de usinas, com capacidade anual de quatro milhões de toneladas de cana-de-açúcar cada, para atender a demanda até 2020/2021.

Caso contrário, só poderemos contar com as eleições para Presidente da República, no próximo outubro, e torcer para que o próximo presidente eleito apresente um plano de trabalho que contemple a adoção de medidas públicas adequadas para a retomada do desenvolvimento do setor sucroenergético.

Para isso, o Brasil precisa de um verdadeiro estadista que esteja disposto a arriscar o seu capital político em defesa de reformas capazes de retirar o país da atual trajetória decepcionante. 

Segundo Luiz Felipe D’Avila, cientista político e especialista em gestão pública, na revista VEJA, edição 2359, 04.02.2014: “Os estadistas entendem quais são as travas ao desenvolvimento e ao fortalecimento das instituições democráticas. Apenas instituições sólidas asseguram a tríade da prosperidade: a confiança no país; a previsibilidade política e econômica e a continuidade das boas ações públicas.”

Para entendermos sobre “estadista”, citamos a escolha de D’Avila pelos nove estadistas brasileiros: José Bonifácio de Andrada e Silva, pela defesa da Independência; Joaquim Nabuco, a maior voz contra a escravidão; Dom Pedro II, pela promoção das liberdades; Prudente de Morais, Campos Salles e Rodrigues Alves, os três primeiros presidentes civis, pela consolidação da República; Oswaldo Aranha, defensor da democracia nos anos da ditadura Vargas; Ulysses Guimarães, líder das Diretas Já, e Fernando Henrique Cardoso, pela estabilização da economia.

Confira também a opinião dele sobre Lula e os candidatos a presidente, Dilma Rousseff, Eduardo Campos e Aécio Neves:

Sobre Lula: “Lula teve seu momento de estadista com a divulgação da Carta ao Povo Brasileiro, na campanha eleitoral de 2002. Nela, ele se compromete a manter a política econômica de Fernando Henrique e respeitar os contratos. Ao assumir a Presidência, porém, a busca incessante – e quase narcisística – pela popularidade o fez deixar de lado as reformas. Então, na minha avaliação, ele não pode ser considerado um grande estadista. Se os políticos pensarem sempre na próxima eleição, se tiverem o receio de correr riscos em benefício da próxima geração, nunca vão fazer ou liderar as reformas estruturais. Foi o que aconteceu com Lula. Ele tinha capital político para fazê-las, mas foi avaro e optou por investir apenas na própria popularidade.”

Sobre Dilma: “A Presidente acreditou que atingiria essas metas sem fazer nenhuma reforma. Houve uma melhora recentemente, com o governo sendo mais pragmático nas privatizações, mas ainda é pouco. Não adianta ir a Davos e dizer que o Brasil está aberto a investimentos. Os investidores estrangeiros sabem avaliar as perspectivas reais para a economia. É muito ruim quando o Brasil apresenta um resultado desastroso, como foi o caso nas notas do exame Pisa divulgadas recentemente, e o governo tenta enxergar melhoras que, na verdade, foram insignificantes. Trata-se de um caso de ausência de liderança, porque vai no sentido contrário ao de criar o necessário senso de urgência. A perda de credibilidade é rápida e a reconquista é lenta. Dilma agora luta para recuperar a confiança. Conseguirá isso apenas com ações concretas, não com discursos. Quando não existe uma visão maior, clara, voltamos para a política miúda da barganha de cargos e verbas.”

Sobre Eduardo e Aécio: “Não consigo antever, hoje, uma grande mudança política mesmo com a vitória da oposição. Eduardo Campos e Aécio Neves passaram pelo governo estadual, deverão ser mais pragmáticos, e, por isso, deverão dar mais eficiência à administração da máquina pública. Mas não os vejo comprometidos com as reformas mais profundas. Falta a eles convicção. Parecem incapazes de mobilizar a opinião pública para defender a aprovação das reformas.”

Está aí a situação: o setor sucroenergético, que precisa de políticas públicas adequadas para a retomada do seu desenvolvimento, e a opinião do cientista político Luiz Felipe D’Avila – que também é a opinião de muitos – sobre o ex-presidente Lula e os pré- candidatos a Presidente da República, Dilma, Eduardo e Aécio.

Sugiro aos pré-candidatos a Presidência da República que façam seus planos de trabalho para se apresentarem aos eleitores como verdadeiros estadistas e não tenham planos voltados somente para ganhar votos e não colocar em prática posteriormente.


(Artigo escrito em 04/02/2014)

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