24/08/2015

Justiça, até que enfim!

Quando a mídia noticia a repulsa da maioria dos comandantes do País contra o julgamento dos mensaleiros pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou 25 réus por diversos crimes, entre os quais os de que corrupção ativa, passiva e compra de votos no Congresso, lembramo-nos de duas ilustres figuras, as quais, em suas épocas, combatiam, também, a existência desses crimes, sem que a Justiça as punissem. (Leia mais)


Um deles foi senador da República, o sempre lembrado Rui Barbosa, que, em 1914, proferiu um discurso do qual tomo a liberdade de transcrever parte:

“A falta de justiça, senhores senadores, é o grande mal de nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação. A sua grande vergonha diante do estrangeiro é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais. A injustiça, senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente de podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto (...)”. 

E termina: “E nessa destruição geral de nossas instituições, a maior de todas as ruínas, senhores, é a ruína da justiça, colaborada pela ação dos homens públicos, pelo interesse dos nossos partidos, pela influência constante dos nossos Governos. E, nesse esboroamento da justiça, a mais grave de todas as ruínas é a falta de penalidade aos criminosos confessos, é a falta de punição quando se aponta um crime que envolve um nome poderoso, apontado, indicado, que todos conhecem”.

Por este discurso verifica-se que também não se punia quando se tratava de “nome poderoso”, conforme Rui Barbosa.

A outra ilustre figura, não menos importante pela sua atuação durante o Regime Militar, que ajudou a trazer o Brasil da 48ª posição na economia mundial para 8ª, é o General Ernesto Geisel. Ele também foi presidente do Brasil (1974/1979), criou o “Pró-Álcool” e proferiu a seguinte profecia pela abertura política no Brasil: “se é a vontade do povo brasileiro eu promoverei a Abertura Política no Brasil. Mas chegará um tempo que o povo sentirá saudade da Ditadura Militar, pois muitos desses que lideram o fim da ditadura não estão visando o bem do povo, mas, sim, seus próprios interesses”.

O General Ernesto Geisel tinha razão: já chegamos a esse ponto. Com o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) condenando 25 réus, entre os quais “nomes poderosos”, podemos acreditar que a justiça, até que enfim, chegou para coibir crimes inaceitáveis.


(Artigo escrito em 16-01-2013)

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