Vamos tentar descobrir os culpados pela situação da nossa economia? Para tanto, aproveito dois artigos elaborados por especialistas da mídia. Vou transcrever apenas alguns parágrafos, que acredito serem suficientes para a resposta ao título. (Leia mais)
O primeiro, foi publicado no site Brasilagro de 29.07.15, com o título "Falta de Compostura de Lula". Trata-se de Editorial do jornal O Estado de S. Paulo:
“Maior responsável pela grave crise política, econômica, social e moral em que o País está mergulhado depois de mais de 12 anos de domínio petista, Luis Inácio Lula da Silva tenta reagir à queda do pedestal em que se entronizou graças à conjugação de circunstâncias históricas alheias à sua vontade, com a habilidade e a falta de escrúpulos com que manejou um populismo irresponsável. Diante da revelação da forma mais dolorosa possível para os brasileiros, de seu legado maldito e apavorado com a perspectiva cada vez mais próxima de ter de prestar contas à Justiça de seu envolvimento em acontecimentos que o beneficiaram e a toda sua família, Lula entrega-se ao destempero retórico. Perdeu completamente a compostura.
Na sexta-feira passada, em discurso na posse da diretoria do Sindicato dos Bancários do ABC, em Santo André, Lula não teve o menor constrangimento em se colocar no papel de vítima de 'nazistas' e de uma 'elite perversa' que não aceita conquistas sociais. Numa tentativa canastra de explicar a decepção em que se transformou o poste que escolheu para substitui-lo na Presidência, atribuiu o desastre ao marxismo da elite. 'Nunca tinha visto na vida pessoas que se diziam democráticas (sic) e não aceitaram uma eleição que elegeu uma mulher presidente da República'.
Com a popularidade em baixa, não seria agora que Lula se exporia diante do 'povo'. Só fala a plateias selecionadas que não representem ameaça à sua megalomania. Diante de tal público, sente-se à vontade para derramar todo seu repertório de demagogo sacramentado. Parece não lhe ocorrer, no entanto, que o que ele imagina ser uma deferência especial sua a uma plateia selecionada significa, na verdade, um insulto aos cidadãos que, salvo a hipótese de se tratar de fanáticos irredimíveis, só estão aí porque Lula lhes atrai a curiosidade. E nada mais. (...)
Cada vez menos, Lula consegue reunir plateias dóceis para deitar falação. Muito porém se engana com ele. Para a grande maioria dos brasileiros, Lula e tudo que ele representa foram uma ilusão passageira”.
O segundo artigo é da coluna de Elio Gaspari, publicada no jornal O Globo de 29.07.15, com o título "De J.Figueiredo@com para Dilma@gov":
“A senhora ria da minha desgraça, mas peço-lhe que pense na sua, procurando evitar os meus erros e os do Sarney. Prezada presidente, já lhe escrevi várias vezes, sem qualquer resultado. Pedi-lhe que parasse de distribuir mau humor porque sei que riem de nós. Quando as coisas iam mal, eu me deixava fotografar montando um dos meus cavalos. A senhora monta sua bicicleta. Presidentes fazendo coisas desse tipo rendem imagens, mas sabemos que isso é apenas teatro. Quem lhe disser que a senhora se parece comigo está frito. Lastimo dizer-lhe: somos parecidos. Eu não tinha como mudar. A senhora tem. Como? Não sei, nem poderia lhe dizer.
Eu governei o Brasil de 1979 a 1985. Depois veio o Sarney (a quem não passei a faixa). Juntos, levamos o país para o que hoje se chama de 'Década Perdida'. Ela teria acabado em 1993, quando aquele caipira do Itamar Franco botou o Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda. Hoje me dou bem com o Itamar e gosto de conversar com o Tancredo Neves. Ele promete me reaproximar do general Ernesto Geisel, mas não está fácil. Se a tal 'Década Perdida' tivesse acabado em 1994, teria começado em 1984. Não creio. Ela começou antes, no meu governo.
A ruína de nosso país começou em 1982, quando fomos colocados diante de uma situação econômica adversa e resolvemos pedalar. Eu fazia uma coisa, desfazia, tentava outra, sempre anunciando que a crise era transitória e sairíamos das dificuldades. Vieram o Sarney e o Itamar e tocaram o mesmo realejo.
Escrevo-lhe para pedir-lhe que pense na coisa mais elementar: o buraco está muito mais embaixo. A crise econômica do país é mais grave do que a senhora diz, mas está no início. Talvez esse moço que a senhora pôs na Fazenda tenha acreditado que resolveria com saltos triplos. Aprendeu que não dá e o pior que pode acontecer à senhora é ter um ministro vendendo otimismo e produzindo descrédito. Para desgraça geral, eu, o Sarney e o Itamar jogamos esse jogo. (...)
Crise é crise e a senhora está no meio de uma. Reconheça-a. Assuma-a. Se o PT fizer cara feia, encare-o. O que arruinou a nossa economia foi a minha incapacidade, a do Sarney e a do Itamar até 1993 de reconhecer o tamanho do buraco e de enfrentar questões difíceis que pareciam insuperáveis. Sarney e Itamar foram mais hábeis que eu, costurando uma base política. A minha, contudo, costurei-a abrindo espaço para o Tancredo, livrando o país de uma governo presidido por Paulo Maluf.
Outro dia, a senhora disse que o Lava-Jato influenciou na redução da atividade econômica em 1%. Eu sei quanto nos custam observações coloquiais. Tem gente que acredita que eu preferia o cheiro de cavalo ao do povo. Nossas derrapadas saem da alma, mas a senhora sabe que a Lava-Jato não influenciou a atividade econômica. Foram as roubalheiras que provocaram a Lava-Jato. Na dúvida, fique calada. Eu não conseguia. Despeço-me, porque os meus cavalos estão pedindo comida. João Baptista Figueiredo”.
Aí estão fragmentos dos dois artigos, e a minha pergunta continua: Eles são os culpados? Vocês decidem.
(Artigo escrito em 11/08/2015)
O governo ainda dizendo que o Congresso e' o culpado pela crise fiscal. Então, diga governistas, que medida a presidente Dilma, neste mandato ou no anterior, ou, então, Lula nos dois precedentes, adotaram de contenção de despesas que o Congresso decidiu vetar.
ResponderExcluirAmauri, obrigado pela participação. O artigo é justamente para reafirmar minha opinião: tanto Lula quanto Dilma são os culpados pelo que está acontecendo com a nossa economia.
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