25/08/2015

Eles são os culpados?

Vamos tentar descobrir os culpados pela situação da nossa economia? Para tanto, aproveito dois artigos elaborados por especialistas da mídia. Vou transcrever apenas alguns parágrafos, que acredito serem suficientes para a resposta ao título. (Leia mais)


O primeiro, foi publicado no site Brasilagro de 29.07.15, com o título "Falta de Compostura de Lula". Trata-se de Editorial do jornal O Estado de S. Paulo:

“Maior responsável pela grave crise política, econômica, social e moral em que o País está mergulhado depois de mais de 12 anos de domínio petista, Luis Inácio Lula da Silva tenta reagir à queda do pedestal em que se entronizou graças à conjugação de circunstâncias históricas alheias à sua vontade, com a habilidade e a falta de escrúpulos com que manejou um populismo irresponsável. Diante da revelação da forma mais dolorosa possível para os brasileiros, de seu legado maldito e apavorado com a perspectiva cada vez mais próxima de ter de prestar contas à Justiça de seu envolvimento em acontecimentos que o beneficiaram e a toda sua família, Lula entrega-se ao destempero retórico. Perdeu completamente a compostura.

Na sexta-feira passada, em discurso na posse da diretoria do Sindicato dos Bancários do ABC, em Santo André, Lula não teve o menor constrangimento em se colocar no papel de vítima de 'nazistas' e de uma 'elite perversa' que não aceita conquistas sociais. Numa tentativa canastra de explicar a decepção em que se transformou o poste que escolheu para substitui-lo na Presidência, atribuiu o desastre ao marxismo da elite. 'Nunca tinha visto na vida pessoas que se diziam democráticas (sic) e não aceitaram uma eleição que elegeu uma mulher presidente da República'.

Com a popularidade em baixa, não seria agora que Lula se exporia diante do 'povo'. Só fala a plateias selecionadas que não representem ameaça à sua megalomania. Diante de tal público, sente-se à vontade para derramar todo seu repertório de demagogo sacramentado. Parece não lhe ocorrer, no entanto, que o que ele imagina ser uma deferência especial sua a uma plateia selecionada significa, na verdade, um insulto aos cidadãos que, salvo a hipótese de se tratar de fanáticos irredimíveis, só estão aí porque Lula lhes atrai a curiosidade. E nada mais. (...)

Cada vez menos, Lula consegue reunir plateias dóceis para deitar falação. Muito porém se engana com ele. Para a grande maioria dos brasileiros, Lula e tudo que ele representa foram uma ilusão passageira”.

O segundo artigo é da coluna de Elio Gaspari, publicada no jornal O Globo de 29.07.15, com o título "De J.Figueiredo@com para Dilma@gov":

“A senhora ria da minha desgraça, mas peço-lhe que pense na sua, procurando evitar os meus erros e os do Sarney. Prezada presidente, já lhe escrevi várias vezes, sem qualquer resultado. Pedi-lhe que parasse de distribuir mau humor porque sei que riem de nós. Quando as coisas iam mal, eu me deixava fotografar montando um dos meus cavalos. A senhora monta sua bicicleta. Presidentes fazendo coisas desse tipo rendem imagens, mas sabemos que isso é apenas teatro. Quem lhe disser que a senhora se parece comigo está frito. Lastimo dizer-lhe: somos parecidos. Eu não tinha como mudar. A senhora tem. Como? Não sei, nem poderia lhe dizer.

Eu governei o Brasil de 1979 a 1985. Depois veio o Sarney (a quem não passei a faixa). Juntos, levamos o país para o que hoje se chama de 'Década Perdida'. Ela teria acabado em 1993, quando aquele caipira do Itamar Franco botou o Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda. Hoje me dou bem com o Itamar e gosto de conversar com o Tancredo Neves. Ele promete me reaproximar do general Ernesto Geisel, mas não está fácil. Se a tal 'Década Perdida' tivesse acabado em 1994, teria começado em 1984. Não creio. Ela começou antes, no meu governo.

A ruína de nosso país começou em 1982, quando fomos colocados diante de uma situação econômica adversa e resolvemos pedalar. Eu fazia uma coisa, desfazia, tentava outra, sempre anunciando que a crise era transitória e sairíamos das dificuldades. Vieram o Sarney e o Itamar e tocaram o mesmo realejo.

Escrevo-lhe para pedir-lhe que pense na coisa mais elementar: o buraco está muito mais embaixo. A crise econômica do país é mais grave do que a senhora diz, mas está no início. Talvez esse moço que a senhora pôs na Fazenda tenha acreditado que resolveria com saltos triplos. Aprendeu que não dá e o pior que pode acontecer à senhora é ter um ministro vendendo otimismo e produzindo descrédito. Para desgraça geral, eu, o Sarney e o Itamar jogamos esse jogo. (...)

Crise é crise e a senhora está no meio de uma. Reconheça-a. Assuma-a. Se o PT fizer cara feia, encare-o. O que arruinou a nossa economia foi a minha incapacidade, a do Sarney e a do Itamar até 1993 de reconhecer o tamanho do buraco e de enfrentar questões difíceis que pareciam insuperáveis. Sarney e Itamar foram mais hábeis que eu, costurando uma base política. A minha, contudo, costurei-a abrindo espaço para o Tancredo, livrando o país de uma governo presidido por Paulo Maluf.

Outro dia, a senhora disse que o Lava-Jato influenciou na redução da atividade econômica em 1%. Eu sei quanto nos custam observações coloquiais. Tem gente que acredita que eu preferia o cheiro de cavalo ao do povo. Nossas derrapadas saem da alma, mas a senhora sabe que a Lava-Jato não influenciou a atividade econômica. Foram as roubalheiras que provocaram a Lava-Jato. Na dúvida, fique calada. Eu não conseguia. Despeço-me, porque os meus cavalos estão pedindo comida. João Baptista Figueiredo”.

Aí estão fragmentos dos dois artigos, e a minha pergunta continua: Eles são os culpados? Vocês decidem.


(Artigo escrito em 11/08/2015)

2 comentários:

  1. O governo ainda dizendo que o Congresso e' o culpado pela crise fiscal. Então, diga governistas, que medida a presidente Dilma, neste mandato ou no anterior, ou, então, Lula nos dois precedentes, adotaram de contenção de despesas que o Congresso decidiu vetar.

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  2. Amauri, obrigado pela participação. O artigo é justamente para reafirmar minha opinião: tanto Lula quanto Dilma são os culpados pelo que está acontecendo com a nossa economia.

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