Os marqueteiros da presidente eleita, Dilma Rousseff, conseguiram dividir o Brasil não em duas, mas em três classes distintas: a primeira é daqueles que estavam preocupados com a situação caótica da economia e esperavam mudanças e medidas para o seu crescimento; a segunda é daqueles que queriam o poder a qualquer custo, mas, preocupados em desconstruir seus adversários, apresentaram somente os benefícios da Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida e dividiram o Brasil em “nós” e “eles”; a terceira é daqueles que não se preocupam com nada, que se abstiveram de votar, votaram em branco ou nulo. (Leia mais)
Para comprovar estas três classes, apresento os seguintes dados: total dos eleitores que compareceram na votação = 142.821.358, sendo que 54.501.118 (38,16%) votaram em Dilma Rousseff, 51.041.155 (35,74%) votaram em Aécio Neves e 37.279.085 (26,10%) votaram em branco, nulo ou se ausentaram.
Desta forma, a representatividade da atual presidente é de, praticamente, 1/3 dos eleitores. Para que ela atenda às necessidades de quase 2/3 dos eleitores, deverá dialogar bastante com estas classes.
Por outro lado, a representatividade diminui para 1/4 se calcularmos com base na população estimada pelo IBGE de 2014, que é de 202.768.562 habitantes. Ficaria: 54.501.118 (26,88%) votaram em Dilma Rousseff; 51.041.155 (25,17%) votaram em Aécio Neves; 37.279.085 (18,39%) votaram em branco, nulo ou se ausentaram; 59.947.204 (29,56%) habitantes não são eleitores.
Para se ter uma ideia do que aconteceu nesta última eleição, seguem alguns dados relevantes:
1. A eleita Dilma Rousseff ganhou em 15 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Amazonas, Amapá, Tocantins, Pará, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O total de eleitores nestes estados é 74.457.400. A média da renda dos eleitores nestes estados é R$ 542,75. O PIB médio destes estados é R$ 105,6 bilhões. E o percentual médio de famílias beneficiadas com a Bolsa Família nestes estados é 48,61% por estado.
2. O candidato Aécio Neves ganhou em 12 estados: São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondonia e Acre. O total de eleitores nestes estados é 68.006.300. A média da renda dos eleitores nestes estados é R$ 885,03. O PIB médio destes estados é R$ 209,1 bilhões. E o percentual médio de famílias beneficiadas com a Bolsa Família nestes estados é 25,80% por estado.
3. No primeiro turno das eleições, o resultado final foi o seguinte: Dilma recebeu 41,59%, ou seja, 43.267.668 votos; Aécio recebeu 33,55%, ou seja, 34.897.211 votos; Marina recebeu 21,32%, ou seja, 22.176.619 votos; diversos receberam 3,54%, ou seja, 3.682.304 votos, totalizando 104.023.802 votos.
4. Durante a campanha para o segundo turno, o candidato Aécio recebeu apoios importantes, os quais destaco o de Marina, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 21,32% dos votos, e da família de Eduardo Campos (falecido em acidente aéreo às vésperas da eleição). Com estes apoios, a chance de vitória do candidato Aécio aumentou sensivelmente. Mas estes apoios não se concretizaram em sua totalidade, pois a transferência de votos de Marina para Aécio só foi notada nos estados onde Aécio já tinha ganho no primeiro turno, ou seja, Acre, Roraima e Rondonia.
5. O que efetivamente deu a vitória à candidata Dilma foi a votação de três estados: Minas Gerais, Rio de Janeiro e, principalmente, Pernambuco. Na hipótese de que Marina conseguisse transferir os votos que recebeu nestes três estados para Aécio, o resultado seria o seguinte: no segundo turno, em Minas Gerais, votaram 11.408.243 eleitores; no Rio de Janeiro, 8.169.271 eleitores; em Pernambuco, 4.897.431 eleitores. Em Minas Gerais, no primeiro turno, Aécio teve 39,75% e Marina, 14,00%, totalizando 53,75% x 11.408.243 = 6.131,930 – 5.428.821 = 703.109. No Rio de Janeiro, no primeiro turno, Aécio teve 26,93% e Marina, 31.07%, totalizando 58,00% x 8.169.271 = 4.738.177 – 3.681.088 = 1.057.089. Em Pernambuco, no primeiro turno, Aécio teve 5,92% e Marina, 48,05%, totalizando 53,97% x 4.897.431 = 2.643.143 – 1.459.266 = 1.181.877. Assim, teríamos uma diferença a favor do Aécio de 2.944.075 votos e o resultado da eleição seria: Dilma: 54.501.118 – 2.944.075 = 51.557.043 (48,85%) e Aécio: 51.041.155 + 2.944.075 = 53.985.230 (51,15%).
Concluindo, a razão efetiva da vitória de Dilma Rousseff foi o seu apelo para os benefícios sociais, como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, e não a situação da economia brasileira, que encontra-se caótica. Uma presidente que deixa o valor de mercado de sua maior empresa, a Petrobras, cair cerca de US$ 160 bilhões durante o seu mandato e, em consequência, acaba com o setor sucroenergético do País só seria eleita, como assim o foi, pela política assistencialista do seu governo.
(Artigo escrito em 05/11/2014)
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